Meses antes do ataque a tiros que matou a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, o ex-policial militar Ronnie Lessa utilizou a internet para fazer buscas relacionadas ao crime, segundo as investigações.
Réu no processo, Lessa é apontado como responsável por efetuar os disparos contra as vítimas. O ataque ocorreu no dia 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro.
A informação sobre as buscas feitas pelo ex-policial militar, que está preso desde 2019, foi obtida após a quebra do sigilo telemático do réu. O conteúdo das pesquisas foi apresentado pelo promotor Eduardo Martins durante o segundo dia de julgamento de Lessa e do também ex-policial Élcio de Queiroz.
Adquiriu no Mercado Livre um equipamento rastreador veicular sem fio com bateria de longa duração. Pagou R$ 777,90.
Pesquisa no Google por “adesivo anti radar”.
Pesquisa no Google por “caixa impermeável para enterrar armas de até 114 cm”. O material foi adquirido por R$ 1.399,40 e entregue na casa de Ronnie Lessa.
Pesquisa no Google por “desfazer a sincronização do Google Chrome”.
Pesquisas no Google por ”acessórios” para a submetralhadora HK MP5. Os acessórios seriam itens como adaptadores e silenciadores. Segundo a perícia, esse modelo de arma é o que “demonstrou maior compatibilidade com os mesmos elementos constatados no dia 14/03/2018 pelo perito responsável pelo local do crime”.
Pesquisa no Google sobre deputados que teriam votado contra a “intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro”. Marielle era relatora da comissão que iria acompanhar a intervenção federal no RJ.
Pesquisas no Google relacionadas ao então deputado federal Marcelo Freixo, que à época estava no PSOL. Lessa também fez buscas também pela esposa e pela filha de Freixo. No primeiro dia do julgamento, Lessa afirmou que recebeu uma oferta para executar Freixo, que hoje é presidente da Embratur.
Entre os termos pesquisados nesse período estavam: “morte ao PSOL”, “morte de Marcelo Freixo” e “Marcelo Freixo enforcado”.
Pesquisa no Google por “acessórios” para arma de fogo. O acessório seria um trilho para montagem de mora de ferro.
Faz buscas no Google por endereços de locais onde Marielle faria agendas.
Pesquisa pelo endereço e pelo CPF de Marielle e da filha dela
Pesquisa no Google pelo equipamento jammer –vulgarmente conhecido como “capetinha”, que serve para bloquear sinais de comunicação sem fio, como GPS, Wi-Fi e rádio. O objetivo da pesquisa seria conhecimento sobre a “legalidade” ou “ilegalidade” do equipamento.